terça-feira, 19 de abril de 2016

às vezes!!!

Às vezes é preciso abrir as portas para novas pessoas e deixá-las entrar. 
às vezes é preciso fazer com que estas pessoas além de entrar, se estabeleçam em nosso espaço.
às vezes é preciso fazer com que estas pessoas que entraram e se estabeleceram, se mexam e nos tirem de nossa zona de conforto.
às vezes é preciso fazer que nós mesmos aceitemos que não podemos escolher as pessoas que entram e sim aceitar suas virtudes e seus defeitos.
às vezes é preciso entender que as mudanças são necessárias, que a renovação é necessária, que as portas fechadas sejam necessariamente lacradas para sempre.
às vezes é preciso abrir várias portas e deixar a luz entrar por todos os cantos.
às vezes é preciso deixar o brilho destas luzes se confrontarem até nos cegar ao ponto de vermos profundamente por dentro, onde realmente importa, onde realmente tudo se acomode e se faça a paz.
às vezes é preciso entender que a felicidade está misturada com a tristeza e as duas estão espalhadas pelo caminho e não em um lugar determinado, em um bem adquirido ou uma pessoa específica.
às vezes é preciso aceitar que as verdades que antes serviram para os nossos avós e pais, hoje já não nos servem mais e possivelmente não existirão para nossos filhos e netos.
Às vezes é preciso entender que a vida é só uma e sendo só uma é uma sucessão de segundos e não um retrocesso. Não se vive o segundo passado e sim o próximo. O cheiro, o sabor, o calor e o frio ficam só na memória e não podem ser carregados conosco.
Às vezes é preciso saber que nossa formação vai além do corpo, além da beleza, além dos princípios éticos, além dos padrões estabelecidos, além das riquezas acumuladas.
às vezes é preciso deixar pessoas irem abrir outras portas, às vezes é preciso sair pelas portas abertas, às vezes é preciso estar em outro lugar que nunca antes esteve, viver sensações que nunca antes havia sentido.
às vezes é preciso deixar viver, às vezes é preciso ser o centro da vida.
às vezes é preciso abrir as portas para novas pessoas e deixá-las entrar... e ir com elas aonde elas nos levarem!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

20 mil acessos

Quanta satisfação eu sinto quando percebo que este blog está chegando na marca de 20 mil acessos desde a sua criação.
Claro que este número é insignificante em relação a tantos outros blogs criados e publicados diariamente no Brasil e no mundo mas é extremamente grande quando relacionado à sua criação, aos motivos que me levaram a escrever.
Iniciei aqui escrevendo exclusivamente para mim. Para não deixar escapar de minha cabeça tantas e tantas idéias que eu gerava durante meus dias. A vida estava sim em franca ebulição quando comecei a escrever e este blog de certa forma me ajudou a abrandar um pouco meus pensamentos.
Da mesma forma como pesquisadores cientistas descobriram que tirar uma foto do prato de comida antes de comê-lo ajuda a emagrecer, acredito que escrever ajuda a arejar a mente.
As palavras fluiam em minha mente, formavam frazes que por sua vez concatenavam orações que inevitavelmente se transformavam em textos.
Fiz questão de não revisar nenhum deles. Fiz questão de publicar sem sequer reler pois era uma coisa intimista, uma coisa própria, sem qualquer objetivos.
Mesmo sem escrever por algum tempo, percebí que havia cerca de 30, 40 acessos diários. Percebí que pessoas vêm aqui constantemente. Não sei qual o objetivo, não sei os motivos que trazem as pessoas a este blog. Seja para concordar, criticar, discordar, até mesmo zombar, isso não me importa.
As portas estão sempre abertas. E são de várias partes do Brasil e do mundo. Foram mais de 40 paises, de todos os continentes. Pessoas espalhadas pelo mundo que por alguns instantes degustaram algo meu, algo de minha intimidade. Isso é fascinante.
Quero agradecer e deixar uma reflexão....

Toda porta separa dois caminhos. E nunca sabemos qual é o caminho certo. Portanto, procurem deixar as portas sempre abertas.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Ponto de Vista

É tudo uma questão de ponto de vista. Tudo muda de acordo com a perspectiva de como vemos as coisas, como encaramos o fato e até mesmo de como lidamos com ele.
Se olhamos de muito longe, perdemos o foco, se olhamos muito de perto, embaraçamos a imagem. Até mesmo a incidência da luz, a ausência dela, o ângulo de visão, tudo pode mudar milhares de vezes o resultado visual de um mesmo objeto.
É tudo uma questão de ponto de vista. Sem querer parecer repetitivo porém já sendo, precisamos lançar vários olhares, sobre várias perspectivas diferentes sobre um mesmo fato, enumerar todas as conclusões, categorizar e enfim, tirar disso tudo a consideração que mais se aproxima da verdade.
Cito aqui um exemplo pessoal de como as perspectivas mudam os conceitos. Em um primeiro olhar, identifiquei um grande inimigo. Olhando sobre outros ângulos e outros aspectos, tornou-se um redentor. (Redentor - sinônimo - significado: O que livra da escravidão, das aflições).
Bastou o tempo passar e a razão tomar conta da emoção para que uma outra realidade, mais condizente com a situação, mais coerente, predominasse sobre o primeiro olhar que tive da situação.
É tudo uma questão de ponto de vista. Toda história tem um narrador e um protagonista. Somos preguiçosamente convenientes a ouvir sempre a mesma história, do mesmo narrador, com os mesmos protagonistas. Infelizmente não exercitamos nosso cerebro e nos deixamos levar apenas pelo que nos contam, nos induzem a pensar. Aceitamos como verdade o que querem que pensemos.
Um exemplo clássico: Branca de neve e os sete anões. Sabemos da história contata sobre o ponto de vista da protagonista, da princesa. Ora então que temos diversos outros personagens, coadjuvantes, figurantes, que também tem a sua história para contar e a sua verdade sobre os fatos. Temos o ponto e vista da Rainha malvada, do caçador que matou o cervo, o próprio cervo, cada um dos anões e do príncipe que no fim, com apenas um beijo, marcou a vida da protagonista.
O que proponho aquí é que sejam avaliados outros ângulos da mesma história para que, no fim das contas, uma verdade mais sustentável seja apresentada. O que proponho aquí é que não tiremos conclusões e rotulemos pessoas e fatos de acordo apenas com uma única narrativa.
Por trás de um grande livro, para se escrever um grande Best Seller, muitas páginas são descartadas, muitas palavras são apagadas, muitas tramas são escondidas tantas outras são modificadas. O escritor tem a prerrogativa poética. Tudo pode. Ele nos conduz através de sua narrativa por mundos reais e mundos imaginários. E assim vamos levando, ou melhor, nos deixando levar, por um mundo onde cada vez mais, nos perdemos em meio a tantas histórias e estórias. o real e o imaginário.
Ah.. só para ressaltar... Em relação à Branca de Neve, cada um de nós já teve seu dia de anão Soneca, Dengoso, Feliz, Atchim, Mestre, Zangado e Dunga.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Filme de nossa vida

Algumas pessoas dizem que nos segundos que antecedem a morte, passa pela nossa cabeça o filme de nossas vidas. Que vemos em flashes, tudo o que vivemos, tudo o que sentimos, todas as pessoas que conhecemos no decorrer dos anos. Algumas pessoas dizem que temos a chance de recordarmos cada instante, cada lugar, cada história passada, cada história vivida.
Não há comprovação científica deste fato porém, deve haver alguma verdade pois são inúmeros os casos de pessoas que passaram por situação de quase morte e que retornam revelando terem assistido este filme assim como terem visto a luz ou algum ente querido que estava aguardando a passagem.
Tenho certo receio desta passagem. Tenho certo receio deste filme.
Não sei ainda por quantos anos viverei e nem quantas histórias ainda vou acrescentar ao meu filme mas temo que grande parte dos flashes que me forem apresentados, estejam em branco. Aliás, pensando melhor, talvez eu até prefira que estejam em branco do que mostrar a história que escreví ao longo destes referidos anos.
Fosse eu um diretor de cinema, com o direito de escolher toda a trilha sonora, todos os atores, todo o enredo, duração e gênero, com certeza eu faria um filme de comédia. Daquelas comédias que variam do pastelão, passando pelo humor crítico político social e terminando em um grande musical.
Mas não sou diretor de cinema, nem tampouco diretor de minha própria existência. Os enredos são apresentados aleatoriamente, os atores são inseridos em nossas vidas sem qualquer teste, sem qualquer indicação e vão interferindo no decorrer da trama até o seu final e os cenários mudam sem aviso prévio. Uma hora é comédia, no instante seguinte drama, depois terror. Só não há ficcção, De resto, tudo um pouco.
Mas enfim quando o filme for apresentado, nos instantes finais de minha vida e a tela retratar os 20 anos aos quais me refiro, vou preferir os flashes em branco às cenas. Não quero repetí-las nem em pensamento, se este direito me for dado. Melhor ainda seria se pudesse preencher este espaço com trailers de outros filmes, desenhos animados, documentários, esportes, enfim, qualquer outra coisa que me prenda a atenção e que valha a pena assistir.
Acreditem, não estou sofrendo do mal do século que a literatura retrata como sentimentalismo, onde o poeta morria de amor, nem tampouco do parnasianismo que retrata a coisa com a objetividade do realismo. Não...
Apenas peço o direito de me defender de imagens que não quero relembrar, apenas peço o direito de não revisar fases, fatos, coisas e pessoas que infelizmente fui acometido da presença.
E se, ao menos isto realmente existir, se realmente passa diante de nossos olhos o filme de nossa vida no instante de nossa morte, vou tentar, em um determinado instante, ir ao banheiro e perder grande parte deste revival!!!



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Animais

Falar sobre o que depois de tanto tempo?
Não basta simplesmente começar a apertar os caracteres do teclado e esperar que saia algum texto, alguma reflexão, alguma idéia que sirva de inspiração, que se identifique com algum leitor aleatório que vez ou outra frequenta este blog.
É preciso inspiração, é preciso motivo, é preciso sentimento para começar a ter a coragem, a vontade de escrever e compartilhar para o mundo, mesmo que este não saiba, algo que nunca fora escrito.
Mas escrever para quê? Escrever para quem? Escrever por quê?
Claro que eu tenho meus temas, claro que as coisas continuam acontecendo e a vida continua em constante ebulição, em eterna ebulição. Aliás, nunca eboluiu tanto quanto agora.
E justamente por isso falta-me tempo. Confesso que até um pouco de motivação. Manter este blog com tantos textos em tão pouco tempo causou uma certa exaustão de idéias, um certo sentimento de lugar comum. A impressão que tenho é que já escreví sobre tudo.
Quando penso assim paro para lembrar de algumas músicas que gosto. E são inúmeras. Tento entrar na mente do autor e buscar aquele exato ponto de inspiração da criação. E se neste momento batesse a mesma exaustão, o mesmo sentimento de lugar comum que me acomete às vezes? No mímino eu deixaria de conhecer e viajar em uma bela canção.
A mente é mesmo uma coisa estranha, ou no mínimo, misteriosa.
A mente tem o poder de inverter situações e sentimentos, modificar verdades, alterar fatos no subconsciente e transormá-los em uma realidade que jamais existiu. A mente é capaz e inverter sentenças, em alterar o certo para errado e vice e versa pelo simples prazer de não se sentir culpada. A mente é manipuladora de sí mesma. A mente não carrega pesos, ela encontra motivos, razões e explicações forçadas para poder continuar vivendo em paz.
Na verdade somos todos animais!
Eu sou animal!
Nada me difere de um macaco, um gafanhoto, um golfinho ou mesmo uma ameba. Nada, a não ser a consideração que as pessoas fazem sobre mim, aos valores que me atribuem.
E assim vamos vivendo, sendo o tempo todo atingidos pelas necessidades que as pessoas têm por nós contrastando com o descaso quando não há qualquer coisa que possamos oferecer.
Algumas pessoas são como cães, fiéis e dedicados. Outras são como macacos pulando de galho em galho em busca de apenas alimento.
Nada nos difere senão os nossos anseios. No fim, somos todos iguais, animais!



quinta-feira, 27 de novembro de 2014

ESTRELA CADENTE

O tempo que perdemos tentando conquistar uma pessoa que não se identifica conosco é maior do que o tempo que precisamos para conhecer diversas pessoas com as quais teremos afinidade.
As relações humanas são assim. Não estamos preparados para não sermos aceitos, não estamos preparados para não sermos admirados. Precisamos da aceitação e admiração das pessoas.
Precisamos entender que somos a somatória destes dois extremos. Nossas características não podem ser adaptativas de acordo com as preferencias das pessoas pois corremos o risco de perder a originalidade.
Cada pessoa possui sua individualidade e esta é composta justamente por suas qualidades e defeitos.
Mudar para agradar, mudar para obter a aceitação desta ou daquela pessoa específica é uma grande perda de tempo. Precisamos aprender a tratar algumas pessoas como ESTRELAS CADENTES.
Cada um possui um número médio de pessoas que orbitam sua vida. Desde a manhã do dia primeiro de janeiro até o última noite de 31 de dezembro, convivemos, conversamos, interagimos com um número de pessoas que pouco varia de ano para ano. Somos SOL da nossa vida e PLANETAS na vida de outras pessoas.
Nosso magnetismo atrai para nossa órbita, pessoas que nos seguem através desta loucura que é o universo individual. Da mesma forma, somos atraídos pelo magnetismo de pessoas que seguimos, orbitamos ao longo dos tempos.
Seria muito mais interessante ao contrário de tentar orbitar a vida de pessoas que não nos aceitam como somos, procurar pessoas que seriam planetas orbitando nosso sol.
Nesta relação tempo x espaço, fico com o tempo.
O espaço é infinito, o tempo é limitado. O espaço continua eterno, nosso tempo se acaba.
Sugiro aproveitar o tempo que temos da forma mais agradável que possa existir e tratar como estrelas cadentes aquelas pessoas que de alguma forma, devem apenas passar queimando rapidamente por nossa vida e que por fim, acabam sem luz na escuridão total do universo.





terça-feira, 16 de setembro de 2014

De que vale o amor?

Uma pessoa muito queria e especial escreveu uma frase em seu perfil em uma rede social com a seguinte frase: De que vale o amor?
Seguida a esta frase veio um emotion, uma carinha triste.
Ora, no mesmo instante percebí que ela estava tocada pelo lado de baixo do amor. Percebí que naquele momento a percepção dela acerca do amor estava sendo medida na parte de baixo da senóide.

O que é a representação gráfica do amor senão uma senóide, senão uma sucessão de altos e baixos medida nos eixos tempo e emoção?
A avaliação do amor varia à cada medição no eixo do tempo e a pessoa pesquisada.
Mas a pergunta original não é o que é o amor e sim: De que vale o amor!

Precisaríamos categorizar o amor. Amor de mãe, amor de irmão, amor de filho, amor de amigo ou o mais versado dos amores. o amor que fascina e machuca. o amor de um homem para uma mulher ou de uma mulher para o homem?

Remetendo ao emotion triste de minha amiga, ouso dizer que ela estava se referindo ao amor que cura e machuca. ao amor entre homem e mulher.

Para que serve este amor? Passei então a me perguntar justamente para tentar respondê-la e tirá-la do ponto onde ela está na senóide, que a meu ver, posicionada na descendente, junto à incredulidade.

Ora, o amor serve para isso mesmo!!! Para doer e curar. Para arder e aliviar. O amor serve para afirmação e aprendizado. O amor serve para testar limites, para nos posicionarmos em relação à tudo na vida. O amor serve para escravizar e libertar. O amor serve para sorrir e chorar. O amor serve para manter o equilíbrio.

O amor é homeostático ou ao menos deveria ser. Homeostase, o princípio do equilíbrio. O amor serve para equilibrar mesmo que na maior parte do tempo, pareçamos totais loucos desequilibrados, variando do êxtase à depressão em ciclos muito rápidos.

Todo amor é verdadeiro. Não existe amor falso. Absolutamente não existe. O que existe é a negação do amor quando ele está na fase baixa, naquela que faz doer.

Agora, o principal valor do amor, o que ele mais nos ensina, o que ele pode mais nos proporcionar de crescimento é justamente a doação.

A minha resposta para esta pessoa especial seria: O amor serve para sabermos que podemos sentir algo por alguém, manter este sentimento por um determinado período de tempo sem termos a necessidade de receber algo em troca. O amor serve para nos sentirmos plenos em relação a nós mesmos. O amor serve para nos ensinar, definitivamente, a conviver com todos os outros sentimentos simultaneamente, não importando se estamos no alto da senóide ou no ponto mais baixo desta.

O amor é doação!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Minha Filha, 15 anos!

Pais...
Pais... que coisa estranha somos nós!
Não digo pais no sentido de criadores... não estou incluindo mães... Estou falando pais de pai no plural mesmo.
Pais... que coisa estranha somos nós! Do nada deixamos de ser moleques para sermos pais.
De repente tudo aquilo que abominávamos passa a fazer parte do nosso dia a dia. Fraldas cheias, banheiras, carrinhos de bebê, vômitos, pomadas, papinhas, choros intermináveis na madrugada, dodóis, febres, médicos, creches, vacinas, parques, carrossel, bate bate, roda gigante, maternal, escola, roupas novas, sapatinhos, sapatos, salto alto.
Giz de cera, tinta guache, massinha, lápis de cor, caderno de desenho, caneta, batons, maquiagens e as cores vão mudando... E a tela vai mudando...
Bonecas, casinhas, panelinhas, amarelinhas, queimadas, voley, brincos, pulseiras, celulares, tablets... E os brinquedos vão mudando...
Desenhos animados, contos de fadas, histórias de príncipes e princesas, finais felizes, paixões, namoros, alegrias e tristezas, decepções, realizações e até aí... A atriz vai mudando!!!
E quando abrimos os olhos, quando nos damos conta, por mais que tenhamos feito, por mais que a intuição tenha nos conduzido, nós, pais, abrimos os olhos como se acordando de um sonho e percebemos que do zero aos 15, durou um segundo! Parece que dormimos além da conta, parece que tínhamos muita coisa ainda para fazer que não foi feito e alí, parada na sua frente, está uma pessoa no meio termo entre menina e mulher, sua filha, nossas filhas, com 15 anos.
Então ficamos no meio do caminho, em cima do muro da vida. Olhando para seus pais, olhando para nós mesmos e nossas filhas com 15 anos. Voltamos aos nossos 15 anos, subtraímos a idade de nossos pais e fazemos a comparação inevitável! Estamos no caminho certo? Estamos fazendo tudo direito? Somos iguais ou melhores que nossos pais? Aprendemos a lição? Reconhecemos a educação que nos foi dada? Somos gratos a eles por nos ter proporcionado condições de termos, em um segundo, uma filha de 15 anos? Pois até ontem, minha filha era um bebê. Acordei hoje e ela tem 15 anos!
Ora o que não é a vida senão uma sucessão de segundos sem fim, uma corrida desenfreada até a morte?
Então eu olho para dentro de mim e uma dúvida cai por terra. A prova da existência de Deus.
Está escancarado em nossa frente como sempre esteve. Nós é que nunca tivemos a capacidade de discernimento, de entendimento para ver que a vida eterna existe e sempre existiu a partir do momento em que viemos ao mundo através de nossos pais e viveremos eternamente na existência de nossos filhos, netos e daí, para sempre!
Então eu percebo que hoje, ao completar 15 anos, um dia como outro qualquer, um dia mais importante que outro qualquer, minha filha, ajude o seu pai aqui a ter a idade necessária para estar sempre ao seu lado, para estar sempre presente na sua vida.










domingo, 11 de maio de 2014

A cura - tudo tem seu tempo

Tem que deixar doer mesmo... Tem que deixar a insônia lhe acompanhar por algumas noites, deixar que as lágrimas apareçam e que a falta de apetite leve em alguns dias os quilos que tentou perder ao longo do ano. Tem que ouvir aquela música especial infinitas vezes, rasgar e colar as fotos que registravam os momentos de alegria e os lugares especiais, tem que sentir o cheiro do perfume acelerar o seu coração. Tem que parar do nada algumas vezes no meio da rua, tem que sair correndo sem motivos. Tem que doer. Não se cura de amor de outra forma.
Não se cura um amor com outro amor. Não se cura o amor adiantando os ponteiros do relógio. Não se cura um amor com palavras, com conselhos, com festas, com reclusão, com remédios.
Amor se cura com o tempo. Amor se cura com a sucessão de segundos, com os constantes pores do sol, com as inúmeras fases da lua.
O amor é como uma grande construção! Olham vejam vocês se o amor não é como uma grande construção!
E para construir leva tempo, requer espaço, esforço, gastos.
E quando acaba, acaba rápido, implode, restam escombros.
Não se constroi outro amor em cima de escombros. Não são conselhos que removem os escombros, não é a mágica que vai limpar o terreno. É o tempo. É o trabalho. É o esforço.
Em tempos de facebook, twitter, instagram, não nos permitimos esperar. Não permitimos deixar o tempo passar e tudo voltar a ser como antes. Temos que estar sempre por cima, sempre alegres, sempre felizes, sempre melhores que os outros. Em temos de redes sociais temos que ser sempre os donos da razão, temos que mostrar para todos os conhecidos e principalmente para os desconhecidos que não há espaço para sofrimento, que a fila andou, que relacionamentos têm e devem ser perfeitos o tempo todo e que o direito de descartar pessoas acaba sendo nossa única arma contra justamente a dor da espera.
Está havendo um comprometimento com a mentira, com a falsa impressão que tudo está sempre bem, que ninguém sofre, que não dói nada, que é simples que tudo é efêmero.Uma mentira contada para sí mesmo.
Há tempo para tudo. Há tempo para construir um amor e consequentemente há tempo para que os vestígios deste amor desapareçam quando for inevitável. Tudo é cíclico e aquele que pula uma ou outra etapa está inevitavelmente caminhando para uma vida que no fim, será só de decepções.



quinta-feira, 8 de maio de 2014

Perdão

Deixemos de ser hipócritas.... Dificilmente perdoar uma pessoa causa nela algum tipo de transformação ou sequer mesmo emoção.
O ato do perdão transforma infinitamente mais a quem o concede do que quem o recebe. É um esforço descomunal ultrapassar todas as mágoas, todo o prejuízo, todos os rancores e todo o tempo perdido para simplesmente perdoar uma pessoa que definitivamente não mudará em nada suas atitudes e seu caráter.
A grande maioria das pessoas diz que o ato de perdoar torna qualquer pessoa mais sábia, mais forte e mais sensata e eu não discordo disso. O problema é que só as benfeitorias são levadas em conta e a outra parte que modifica em quem perdoa não é analisada.
Quem perdoa é mais sábio, mais forte e mais sensato porém fica também muito mais suscetível às passividades, ao controle, ao comando daqueles que apenas se utilizam das pessoas para atingirem seus objetivos.
Acredito verdadeiramente no poder do perdão porém acho que ele deveria vir com muito amor próprio, com muita individualidade. Acredito verdadeiramente que o perdão deva vir com um fechar de portas, sem reticências ou exclamações. Acredito verdadeiramente que o perdão deva vir com um ponto final. Perdão e retrocesso não combinam. Perdoar e continuar da mesma forma é pedir para doer de novo, é pedir para machucar de novo, pedir para se magoar. Perder tempo.

Acredito verdadeiramente que o perdão deva servir para libertar a pessoa magoada porém o que acontece é o contrário. O perdão absolve o ofensor e oprime o afetado.
O perdão não trás alívio e sim a desconfiança, trás a vigilância constante, perpetua as dores e acentua as cicatrizes.
Então que o perdão seja uma chave!!! Ou melhor, que o perdão seja o ato de fechar algo, guardar no armário em uma caixa e, no meio do oceano, deixar deliberadamente a chave cair e descançar no mais profundo abissal. E que a chave e a caixa jamais se encontrem novamente.
Deixemos de ser  hipócritas e politicamente corretos... O perdão não nos torna superiores a ninguém... O perdão não faz as coisas voltarem a ser como antes...Perdoar não trará borboletas para seu jardim, perdoar apenas manterá as lagartas por perto!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Desculpas

Sabe, andei pensando e acho que lhe devo um pedido de desculpas. Um sincero e profundo pedido de desculpas.
Desculpas por não ter conseguido entrar em sintonia com  o seu momento mágico, compartilhar de sua felicidade e de sua realização instantânea. Um milhão de desculpas por ter permanecido inalterado em minhas emoções enquanto todos ao seu redor comungavam de sua alegria.
Quero me desculpar com você por sempre pensar mais a frente, por sempre reger minhas ações analisando o que elas influenciarão no futuro a médio e longo prazo. Acredito realmente que o momento presente é o que importa mas é através dele que garantimos o próximo momento, a próxima felicidade, a próxima tristeza.
Quero me desculpar também por este sentimento, por esta coisa que eu sei bem quantificar e dominar ao ponto de recolher para dentro de mim e deixar tudo como está, sem interferir no meio.
Quero que entenda que tem que ser assim e que as coisas, todas, têm o seu tempo. O tempo do homem e o tempo de Deus. O tempo do homem varia de acordo com sua educação e com seus conceitos de moral e ética, varia de acordo com o bonsenso e com a dignidade de cada pessoa. O tempo do homem varia de acordo com a relação risco x recompensa, o tempo do homem varia de acordo com o respeito às circunstâcias.
Para Deus, não há tempo, para Deus é só vontade.
São poucas as decisões que podemos tomar durante um único dia porém o acúmulo delas interferem de forma decisiva em nossas vidas e nas vidas das pessoas que nos cercam. As que vivem e as que viverão por conta destas. A responsabilidade funciona indiferente das alegrias e dificuldades. As responsabilidades não respeitam sorrisos e lágrimas. As responsabilidades não devem ser
desconsideradas, longe disso, elas devem ser pensadas, repensadas, planejadas e todas as suas consequências medidas. Ninguém provou que viver é fácil.
O mais interessante nisto tudo é que os efeitos que este pedido de desculpas proporcionarão serão os mais variados ao longo do tempo. À medida que o tempo for passando, que a experiência for acumulando e a vida mostrar como deve ser vivida, os significados das entrelinhas farão mais sentido que as palavras aqui escritas. As memórias aflorarão e enfim, em um futuro distante, tudo isto será significativo mesmo que hoje, não valha nada.



terça-feira, 1 de abril de 2014

tudo ou nada

Posso não ser aquele anjo do Senhor que conhece a palavra e a propaga para as almas carentes das coisas de Deus.
Posso não ser aquele religioso que anseia pelo paraíso com todos os seus anjos e harpas, que anseia pela eternidade em uma terra sem dores, sem sofrimentos, sem ódios ou fome.
Posso não ser aquela pessoa que comunga em uma religião, em uma doutrina, cercado de fiéis e irmãos em Cristo, cantando, participando de campanhas, catequizando, caindo de joelhos perante um poder maior.
Posso não ser aquela pessoa que conhece todos os hinos, todas as músicas, todas as parábolas, sermões, salmos e histórias Bíblicas.
Enfim, posso não ser nada disso e ainda surpreender.
Posso surpreender pela minha fé, pela minha conduta, pela minha prontidão, disposição e fidelidade.
Posso lhe surpreender e ser a pessoa com a qual você poderá descarregar as palavras mais difíceis e as lágrimas mais amargas de sua vida. Posso ser a pessoa que saberá receber seus dias mais escuros da mesma forma como recebe seus sorrisos mais radiantes.
Posso ser a pessoa, a única, que estenderá a mão independente dos atos e julgamentos.
Posso ser a pessoa que silenciará nos momentos de maior combate e a que trará a palavra mais confortante nos momentos de desesperador silêncio.
Posso ser aquela pessoa que alimentará seu coração, que fará o sangue circular nas suas veias se algum dia as pessoas não mais acreditarem em você. Posso ser aquela pessoa que chegará primeiro com o entendimento e o perdão.
Posso ser forte como a rocha e suave como a seda. Posso ser o cão de guarda, fiel e companheiro.
Posso ser a lava do vulcão que esquentará seus dias mais frios da mesma forma que posso ser a brisa suave que refrescará seu corpo, bagunçará seus cabelos nos dias mais quentes.
Posso ser o que nunca estará longe, posso ser o confidente ideal, o cúmplice mais dedicado e o braço para suas noites de sono.
Posso ser a sua verdade mais difícil e complicada, posso ser o seu testemunho de fé. Posso ser o tudo e também posso ser o nada. E enfim você entenderá que realmente não cai uma folha de uma árvore se não for o propósito de Deus.






domingo, 30 de março de 2014

Reticências

Onde está a moça das reticências e o que estará fazendo da sua vida?
O que a moça das reticências espera e de quem ela espera as  palavras para completar suas frases, suas vontades, seus sonhos?
O que está fazendo a moça dos pontinhos neste momento? Em qual lugar ela está e onde seus pensamentos a levam?
As reticências são fantásticas pois expressam algo inacabado, expressam o mistério, o que está por vir. Elas são a essência do desejo, a vontade de continuar, os segredos que se revelarão.
As reticências são o contrário do ponto final, são a porta para a exclamação, a amiga íntima do ponto de interrogação. As reticências são o cronômetro da nossa língua pois marcam o tempo que a próxima palavra virá.
E ela virá?
De quem virá?
As reticências moldam os rostos, criam sorrisos e algumas vezes pesam os lábios com sua face de lamento, de choro. Elas acalmam e aceleram os corações.
As reticências às vezes confundem, outras explicam.
Onde estará a moça das reticências?
Moça das reticências, quantas vezes quis lhe dar exclamações!!!

Não espere tanto tempo por um ponto final de onde só vem interrogações...



quarta-feira, 26 de março de 2014

Não é pelo corpo

Ah... Deixa de ser boba e encare as coisas por um outro prisma, procure um outro ângulo menos previsível para enxergar ao seu redor. Não deveria ser assim tão comum, não deveria ser assim tão óbvio, tão corriqueiro. Olhe-se de fora para dentro e não como faz todos os dias, de dentro para fora. Não está no espelho a sua melhor face, a sua melhor pose.
Sabe, as pessoas são diferentes. Não são todas iguais. Não são todas que querem a mesma coisa sempre!!!
Se fosse assim, seria tudo tão entediante, seria tudo tão descolorido. O que seria das demais cores se fosse sempre ou o branco ou o preto? O que seriam das outras notas musicais se fossem só o dó e o sí? Quais são as certezas que mantemos dentro de nós até o fim?
Encarar a sí mesma como uma casca não é a melhor opção. Esquecer ou não reconhecer todo o seu conteúdo é depreciar o que tem de mais belo, é a prova da falta de confiança e conhecimento próprio. Encarar a sí mesma como outra qualquer definitivamente não é o que me atrai em você.
Dois de seus principais atributos são a sua história, de luta e de força, de responsabilidades prematuras, de vitórias e derrotas sem fim e as suas meias verdades.
Nesta história tudo aconteceu muito rápido, tudo passou em uma velocidade absurda e as decisões foram obrigatoriamente tomadas sem a chance de testar. Coragem e vontade de mudar, certeza de que a vida segue e que é preciso se libertar, crescer, amadurecer, viver. Gerar vida e tomar para sí aquelas responsabilidades que eram de outras pessoas.

Ah... não era para ser tudo neste tempo, não era para ser tudo de uma vez, com esta pressa toda.
Desacelerar, diminuir a velocidade e contemplar mais o que tem ao seu redor também faz parte da vida e traz para sí muitas outras verdades e até o resto das verdades incompletas.
Duas coisas só o tempo é capaz de trazer para nossa vida. Uma delas todos conhecem: A morte. A outra, todos acham que já tem. A verdade.
Amo esta forma como defende suas verdades, mesmo conhecendo apenas o que querem que conheça. Esta sua certeza, esta sua fidelidade nas suas verdades, esta forma como aposta todas as fichas em tudo o que acredita me fascina e incomoda. Incomoda pois não existe um lugar chamado verdade.
Moldamos a verdade de acordo com nossas conveniências e principalmente de acordo com nossos medos. A mesma verdade que nos dá força, nos prende e reprime.
A matemática é exata e perfeita. Depois do número oito vem o nove e depois o dez. Não se vai ao oitenta sem passar um por um todos os números. 
E o que mais temos dentro de nós de belo a não ser nossas histórias e nossas verdades? Amar uma pessoa por conta de sua história, querer fazer parte dela, amar uma pessoa pelas suas verdades mesmo discordando delas, mesmo tendo outras verdades é um exercício que exclui qualquer corpo, qualquer casca que a pessoa esteja vestindo. Exclui o olhar, exclui o sorriso, exclui o modo displiscente de andar, exclui as formas, o cheiro, o toque da pele, o balançar dos cabelos.
O desejo de prover, de cuidar, orientar, participar, acompanhar, observar, contemplar e perpetuar vai muito além de uma simples casca, vai muito além de um simples corpo. Não era para acontecer.
Alimentar-se da simples presença, da simples existência é muito mais digno do que alimentar-se da posse.

Não, definitivamente, não é pelo corpo!








sábado, 22 de março de 2014

sem título

Não gosto destas despedidas... Não gosto dos momentos em que cada um vai para o seu lado e segue sua vida.
Por mim eu ficaria mais um tempo, ia demorando um pouco mais a cada dia até que preencheria todas as suas vinte e quatro horas.
Se eu já gosto de sua proximidade, ainda mais da sua presença pois ela alegra a alma, o coração e os olhos.
Sua presença altera o tempo, confunde pensamentos, aguça curiosidade e faz minha cabeça trabalhar os três estágios do tempo em conjunto. Passado, presente e futuro. Não sei como mas estes estágios se fundem e se confundem. Misturam-se em minha cabeça, afligem minha alma enquanto meus olhos se encantam.
Não sei quais sinais eu emito quando estou sob a influência de sua presença. Já me peguei diversas vezes com um sorriso insistentemente idiota na cara... Já me peguei de boca aberta inconscientemente... Já me peguei até desviando o olhar, desesperadamente...
Não sei como as palavras chegam até seus ouvidos e são guardadas em sua alma. Não sei como você assimila e interpreta o que eu digo. A agonia desta incerteza me incomoda pois eu tenho a exata noção do tamanho das coisas que falo, das proporções que estas coisas podem tomar, das verdades escancaradas em todos os momentos. Existem várias verdades e algumas são conflitantes. Algumas verdades não coexistem, não habitam o mesmo espaço. Como provar que o B está certo se o A também está? Será que vale a verdade que chegou primeiro, a verdade mais fácil? Ou a maior verdade?
Não existe a maior verdade. a verdade é servida em tamanho único.
Não existe verdade maior ou menor mas existem escolhas. Escolhas definitivas.



quarta-feira, 19 de março de 2014

que

que o estar supere o querer
que o ser supere o ter
que o ontem justifique o amanhã
que o passado esteja presente

que a realidade supere o medo
que o amor supere o segredo
que o sim seja companheiro do não
que o não seja companheiro do sim

que o talvez não exista
que o talvez leve consigo o nunca
que o nunca conjugue doer
que o sempre conjugue o amar

que a certeza esteja sempre certa
que os nossos espaços não conflitem
que nossas palavras rimem
que nosso sonho não tenha um fim.

que nosso sonho tenha um enfim!

Felicidade circunstancial

Você é feliz?
Quase a totalidade das pessoas respondem afirmativamente quando esta pergunta é feita diretamente.
Claro, existe um espaço entre a  pergunta e a resposta que pode durar poucos segundos até mesmo alguns minutos.
E o que acontece neste espaço de tempo que o arguído demora a responder?
Atrevo-me a dizer que durante este tempo, a pessoa para qual a pergunta foi feita estabelece uma balança em suas memórias e vai colocando em cada lado suas perdas e suas realizações, esperando que no fim a matemática encarregue-se de pender a balança mais para o lado das realizações.
O estado de espírito da pessoa naquele momento também conta para a composição da resposta mas basicamente a maneira como as pessoas analizam a vida a fim de dizerem se são felizes ou não é muito parecida.
Como as pessoas são todas favoráveis às suas próprias felicidades, cada realização é supervalorizada e cada perda é tratada com um conformismo sem fim. Atribuímos culta às circunstâncias, àquela frase comum "não era para ser meu", aquela outra frase mais comum ainda "Deus sabe o que faz", "coisas melhores vêm para mim" e até mesmo descontamos importância ao que queríamos e não conseguimos.
Enfim, realizamos um certo esforço, ajeitamos as arestas aqui e alí para no fim, com um sorriso amarelo no canto da boca, admitirmos que sim, somos felizes sim. Pouquíssimas pessoas assumem a infelicidade.
Mas e esta felicidade que admitimos? esta felicidade que propagamos? Como podemos caracterizá-la? Será que podemos simplesmente chamar de felicidade a diferença positiva entre o que deu certo do que deu errado? Seria a nossa felicidade uma felicidade circunstancial? Será que somos felizes apenas por imaginarmos que poderíamos estar pior?
Vivemos competindo por felicidade? Temos mesmo a necessidade de parecermos mais felizes perante as pessoas que conosco convivem? Será que as circunstâncias valem mais para medir a felicidade do que as realizações? Será que sabemos realmente o que são as realizações e o que são as ilusões do dia a dia?
Vejo várias pessoas presas em um presente circunstancialmente feliz justamente pelo fato de em um passado tudo ter se perdido, tudo era dor, tudo era sofrimento. vejo pessoas que não escalam a felicidade e nem sequer esboçam uma reação perante a estagnação do caminhar.
Pessoas param em fases da vida, deixam de caminhar para observar a estrada se movendo junto com o tempo, cada vez mais veloz, cada vez mais implacável.
E a lua não é mais observada, e os bons dias são ditos com cada vez menos frequência, cada vez com a voz mais automática, cada vez com menos sorriso nos lábios. E as flores, as árvores, os animais, as crianças, as paisagens são coisas que ficam só na lembrança, cada vez mais no fundo do baú.
Pessoas se fecham dentro de casa, dentro de bares, igrejas, escritórios, dentro de sí mesmas e com medo de o passado voltar, colam uma etiqueta na testa: Minha vida é perfeita e feliz!
A felicidade circunstancial!



segunda-feira, 17 de março de 2014

Ao pó voltarei

Esta casca que todos veem e com a qual eu transporto meus sentimentos, minhas considerações, minhas vontades, minhas idéias e meus sonhos um dia vai se acabar e voltarei ao pó de onde me originei.
Mas meus sentimentos, minhas considerações, vontades, idéias e sonhos não me acompanharão a este vértice. Minhas palavras lançadas ecoarão pela eternidade. Minhas palavras escritas permanecerão ao longo dos anos. Minhas atitudes terão modelado um sem número de pessoas pois é assim com todos. E assim será comigo.
Quem olha para minha casca sem ver minha alma, sem ler meus pensamentos, encontrará sempre um ambiente receptivo, amigável, confortável e bem disposto. Quem olhar para minha casca tem uma probabilidade de encontrar um sorriso em 95% das vezes. Quem precisa de mim aumenta suas chances para 100% de ter minha disposição. Basta merecer. Nem sou tão criterioso para escolher pessoas, nem sou tão fechado que não permita a aproximação. Sou envergonhado e faço de minha desenvoltura uma arma para lutar contra a vergonha de interagir com as pessoas.
Sou forjado sob o efeito da necessidade, da obrigatoriedade de interagir com os semelhantes. Falo bem, escrevo bem, concateno bem minhas idéias e tenho certa facilidade de me fazer entender e ser aceito no meio em que estou inserido.
Aprendí que pessoas não contém manuais de instruções. ninguém vem com legenda ou tecla sap.... precisamos meter a cara e decifrar as pessoas que estão nos rodeando. Não existe um momento ideal para isto ou aquilo. os momentos não dependem de nós.
Aliás, diante dos eventos da vida, nada depende de nós. Algumas pessoas entram em nossas vidas e saem delas sem qualquer efeito enquanto outras duram um segundo que vale por uma eternindade e outras pessoas que realmente se eternizam. 
Os momentos são únicos e a forma como os tratamos acarretam um sem número de enredos diferentes. Um labirinto se forma após cada decisão que tomamos.
Quem olha para a minha casca não mede a minha solidão, não sabe o quanto cabe de vazio dentro de mim. Quem mede a minha solidão percebe que dela fiz amizade e a carrego como companheira pelas estradas por onde vou. Quem mede minha solidão sabe que agora a volta para casa é mais subjetiva do que prática. Volto sempre para mim, para meu conhecimento, para o meu amar.
Não pratico mais o meu amor. Pratico agora o meu amar!
Quem pratica o amor é mais egoísta, individualista, submisso e inseguro. 
Quem pratica o amar é mais feliz, realizado, coletivo, seguro e centrado. Eu me amo e faço deste amor uma ponte para ser o que cada um quer que seu seja.
Quem olha para minha casca só vê o meu amor. 
Quero que a partir de agora não olhem para minha casca. Olhem para minha alma, com os meus olhos. Quero que olhem para dentro de mim e vejam o meu amar. 




sábado, 15 de março de 2014

A borboleta que não saiu do casulo - ou - Eterna crisálida

O que nos separa das coisas que queremos?
Quão distante estamos de nossos objetivos ou de nossos desejos?
O que nos impede de realizarmos nossas vontades?
Analisando a situação, podemos identificar várias escalas de medidas que justificam a distância entre nós e o nosso desejo. A escala mais comum é a distância física que pode ser resolvida em uma caminhada, uma viagem, uma pedalada, um vôo. Basta disposição! Não podemos deixar que metros ou quilômetros nos separem de nossos desejos.
Outra escala é a monetária. As vezes reais, dólares ou euros nos separam de nossos sonhos. Impossibilitam a realização de desejos, a aquisição de coisas que gostaríamos de ter e somos obrigados a deixar de lado por conta do poder aquisitivo.
Isto se resolve com trabalho e determinação. (sempre é bom ressaltar que não faz bem sonhar sonhos impossíveis). Não podemos deixar que cifras nos separem de nossos desejos.
As variáveis distância física e recursos financeiros são as mais simples. São as mais fáceis.
As variáveis subjetivas é que são as mais complicadas. Moral, costume, preconceito, medo, compromissos, opiniões alheias dentre outras não dependem apenas de nós. Dependem do meio em que estamos inseridos, dependem de fatores passados, dependem de terceiros, de família, de relacionamentos, enfim!!! Cansa!
Agora, uma destas escalas se sobressai em relação a atingirmos um objetivo. O tempo. Esta é uma variável que se mede em contagem regressiva. É a variável que, mesmo sem fazermos nada ou, mesmo nos esforçando ao máximo para derrubar as demais, sempre nos distancia do que queremos. O tempo não é infinito. Não o nosso tempo, não as nossas oportunidades.
O tempo é sempre medido em dobro quando relacionado a algo que queremos. Um segundo se passa e outro se perde quando não fazemos algo. Quando acordamos, já se foi, já passou, já está tão distante que o espaço é impercorrível, o dinheiro insuficiente e as variáveis subjetivas nem importam mais pois não há mais vida. Não há mais energia. O sonho se foi.
É como aquela borboleta que decidiu deixar de ser lagarta. Tão determinada, entrou em fase de crisálida*, ficou dentro de seu casulo esperando o momento certo para voar. De tão certa que seria bela, de tão convicta que alcançaria distantes jardins, esperou, esperou, esperou. Sempre o momento mais ideal, sempre a hora certa. E esperou, esperou, esperou! teve medo, no casulo ficou... Esperou, esperou e esperou. E jamais, mesmo bela, voou!
Não sejamos eternas crisálidas. Há um tempo de metamorfose, há um tempo para nos transformarmos mas também há o tempo de sair e buscar novos voos. Se estamos completos, se estamos preparados, apenas quebrando o casulo saberemos!

Muitas vezes nosso futuro está no passado.

 * Envolta no casulo, e em ''estágio de repouso''.




quinta-feira, 13 de março de 2014

Olhos fechados

São os olhos fechados que me trazem as suas melhores imagens pois já está gravado em minha retina o seu semblante com todas as suas variações. Parece que já conheço cada expressão que se multiplica efusivamente em seu rosto, alegria, raiva, tristeza, dor, vergonha, curiosidade, prazer, medo e pecado.
E nesta escuridão gostosa proporcionada pelos meus olhos fechados, neste mundo que eu crio e que é meu reino, onde eu escolho a cada instante o seu melhor semblante, vou pavimentando caminhos, construindo castelos, saboreando todos os sonhos que me permito sonhar e dentro de cada um deles um espaço especial para você. Já não consigo sonhar se não for desta forma. É inevitável.
E a escuridão tráz muito além de seu semblante. O seu caminhar lento, despercebido e despretencioso, o balanço de seus cabelos soltos, esvoaçantes e irriquietos acompanhando seus passos, descompassando os meus.

A sua boca emite palavras que eu não entendo por que não ouço. Ou se ouço, não gravo por que me perco em meio aos seus lábios quando se movem. Amo o formato e o movimento de sua boca confusa, muitas vezes vermelha, tantas outras rosa. Ouço suas palavras com os olhos e isto já me basta, me encanta.
Procuro não pintar nenhuma figura além das que eu conheço para não me perder em outras imagens não capturadas. Atenho-me à realidade para que o desejo não ultrapasse a razão pondo em risco os meus planos.
E é alí, no mundo que existe atrás de minhas pálpebras que eu caminho de mãos dadas com você. Onde eu me sento na grama de um parque no fim da tarde esperando anoitecer acariciando seus cabelos por horas sem fim.

Hebert Viana - Paralamas do sucesso

Olhos fechados
Pra te encontrar
Não estou ao seu lado
Mas posso sonhar

Aonde quer que eu vá
Levo você no olhar
Aonde quer que eu vá
Aonde quer que eu vá

Não sei bem certo
Se é só ilusão
Se é você já perto
Se é intuição

Aonde quer que eu vá
Levo você no olhar
Aonde quer que eu vá
Aonde quer que eu vá

Longe daqui
Longe de tudo
Meus sonhos vão te buscar
Volta pra mim
Vem pro meu mundo
Eu sempre vou te esperar

Não sei bem certo
Se é só ilusão
Se é você já perto
Se é intuição

Aonde quer que eu vá
Levo você no olhar
Aonde quer que eu vá
Aonde quer que eu vá