terça-feira, 13 de novembro de 2012

ônibus

Hoje eu lí uma frase muito bonitinha.

Se molhar nasce flor de novo!!!

Então como as palavras são interpretativas, eu, no meu direito de pensar o que bem entendo, entendí que vale a pena arregaçar as mangas, pegar o regador que estava guardado, encher de água e delicadamente ir regando, primeiro o solo, depois o caule e em seguida as folhas quase secas pelo tempo. Então, além disso, vou preparar o solo, colocar adubo, fazer uma cerquinha, bonitinha, retirar o mato em volta e deixar tudo bem bonito esperando que a flor desabroche de novo.
E vou voltar todos os dias com o regador, de manhã, no entardecer....
Quando o botão começar a aparecer eu vou protegê-lo das formigas e lagartas, vou apoiá-lo para que ele desabroche bem forte e belo. A mais bela flor. O mais gostoso cheiro!
De que cor ela será não importa. o que importa é que ela vai desabrochar se depender de mim. Disposição eu tenho de sobra. Mesmo por que, já estou acostumado a cuidar de outras plantas!
Mas esta planta, com esta bela flor, está no mesmo mundo que dá tantas voltas, que gira sem parar e que muitas vezes perdemos a hora de "subir neste louco ônibus"!
Devemos ficar atentos a todos os sinais, a todos os sentimentos que afloram sob pena de tudo passar desapercebido e de uma hora para outra percebermos que não entramos na hora que deveríamos entrar.
Uma vez eu não tinha o dinheiro para pagar a passagem e acabei perdendo o ônibus. Fiquei parado no ponto, olhando para o lado de dentro, olhando para a janela que se distanciava de mim cada vez mais. E o ônibus se foi. E levou tudo para longe.

Então agora é preciso ao menos que a planta, mesmo murcha, mesmo seca, esteja disponível para ser regada e cuidada. É preciso que ela se disponha, que ela se ofereça e que se permita. Sem medos, nem os do passado e nem os do futuro. A planta precisa dar a sí mesma esta oportunidade para saber se vai vingar, se vai florir de novo.
Cada um faz a sua parte e eu estou pronto para fazer a minha. Mas a planta tem que estar pronta também.

Claro que em qualquer situação na vida devemos ter cuidado. Temos que ter cuidado desde a maior tristeza até a mais plena alegria pois tudo é passageiro. Nada é eterno. Mas nem por isso devemos deixar de lado os sentimentos, nem por isso devemos deixar de analisar, experimentar todas as possibilidades, tentar ver o se com mais clareza, com um toque maior de realidade.
Devemos criar um mundo paralelo, alternativo, onde podemos mexer nas peças a qualquer momento que quisermos, criarmos nossas próprias regras, experimentar todas as variáveis, escolhermos as melhores e trazermos definitivamente para a realidade.
Uma coisa posso garantir. Não tenho pressa. Absolutamente nenhuma. Tenho o tempo que a planta precisar pois não pretendo morrer agora. 
Faz tanto tempo que o ônibus passou e eu não entrei que eu realmente acredito que esteja na hora de ele passar no meu ponto de novo. E agora eu vou esticar o braço, sinalizar com o dedo, esperar a porta abrir e vou entrar. Vou entrar, buscar meu assento (que já está numerado), vou me sentar e viajar definitivamente.
E vou levar o meu vaso, a minha plantinha com a flor desabrochada.

"aonde quer que eu vá, levo você no olhar, onde quer que eu vá" (Hebert Vianna)



segunda-feira, 12 de novembro de 2012

disco voador

Um dos grandes enigmas da humanidade: Estamos nós sozinhos no universo?
Pergunta até hoje sem resposta, mesmo com tantas evidências de civilizações mais avançadas nos visitando ao longo de nossa história.
Talvez o grande número de fraudes, montagens e mentiras possam ter contribuído para esta dúvida permanecer sem solução aaté hoje.
O que temos é um monte de gente que acredita e outro monte que discorda. Os mais religiosos defendem a originalidade do homem à imagem e semelhança de Deus. Sozinhos no universo.
Os cientistas com todas a suas teses e postulandos, e teorias, e cálculos e probabilidades garantem que em pelo menos algumas dezenas de milhares de planetas existam as condições propícias para a existência de civilizações organizadas em comunidades e mais evoluídas que nós!
E eu posso dizer... Existe sim disco voador... Ao menos um deles. Que hoje pousou e não foi mais embora!!!

Primeiro beijo não dado

Todos nós lembramos do primeiro beijo dado. A emoção, o segredo, o inusitado, a vergonha, o medo, a alegria, o gosto, o rosto ruborizado e o sorriso amarelo que entrega qualquer um.
É uma lembrança que carregamos para o resto de nossas vidas, algumas vezes com muitas alegrias e nostalgia, outras com vergonha. Cada um com sua particularidade. Cada um com seu sentimento.
Eu me lembro bem do meu primeiro beijo. Devia ter uns 8, 9 anos de idade. Não vou citar o nome da vítima (rsrsrsrsr) para não causar constrangimentos mas era uma menina muito bonitinha. Escondido, apenas lábios encostando por uma fração de segundos. E foi só este nesta menina. 
Hoje não faço a menor idéia de onde ela esteja. Não tenho nem condições de procurá-la pela internet pois não restou qualquer vestígio que possa me dizer por onde anda. 
Nós nos encontramos anos e anos depois, no IFES, fazendo o mesmo curso porém em classes diferentes mas foi como se nem fôssemos conhecidos. Acredito que o primeiro dela também tenha sido comigo.
Do primeiro para o segundo alguns anos se passaram.

O que talvez ninguém se lembre é do primeiro beijo não dado.
Aquela vontade, aquele desejo não realizado. Aquela frustração que nos persegue para toda a vida.
Lembramos do primeiro beijo pois é uma conquista, uma realização, uma vitória...
Mas e aquela boca que desejamos e não conseguimos? E aquele quase que nunca existiu? Alguém se lembra? Alguém sabe daquele primeiro amor que não se realizou? Alguém ainda se lembra, anos e anos depois, do primeiro fracasso? Daquele rosto que tanto desejou e nunca pode tocar?
Duvido que estas lembranças sejam constantes. Geralmente preferimos deixar isto escondido na gaveta mais longe, do armário mais escondido do subconsciente. Algumas pessoas até conseguem mesmo apagar definitivamente de suas lembranças esta fase da vida.

Sinto por estas pessoas pois até mesmo este momento passado, este insucesso, esta frustração pode no futuro render ótimos exemplos, ótimas memórias.
conseguimos nostalgicamente proporcionar a nós mesmos sorrisos sinceros e perenes. 
conseguimos rir de nossas incertezas, inexperiências, raivas, frustrações;;;;
Experimentem... é muito gostoso. posso garantir!!!

ah... também é um ótimo exercício para o SE como conjunção condicional!!! todos nós gostamos de exercitar o português usando o Se... Se eu tivesse feito isso, ou aquilo, se eu tivesse ido, se eu não tivesse ido... gostamos muito de pensar no SE....
E se o primeiro beijo não dado, fosse dado, como seria hoje?


domingo, 11 de novembro de 2012

Monalisa

Tudo começou com um simples e inocente "olá"...
Mas que olá foi esse!!!
E eu que pensava que a vida não tinha nenhuma surpresa preparada para mim, eis que ela resolve aprontar das suas e me surpreende mais uma vez.
Então eu percebo que meu futuro está absolutamente, definitivamente preso ao remoto passado.
E a vida em ebulição que me levou 20 anos ao passado, agora me leva mais longe ainda. Mais atrás ainda.
E não sei se devo condenar ou exaltar a minha memória. Não sei se é um dom ou uma maldição ter tantos e tantos momentos guardados tão nitidamente em minha mente.
Sei que lembro de coisas que fiz e que deixei de fazer mesmo querendo. Lembro das fisionomias, dos lugares, dos cheiros e dos sabores de coisas tão remotas que me assusto. Tenho absoluta certeza de que não são coisas da imaginação pois são todas coisas importantes e que contribuiram para eu me tornar quem sou hoje.
Então, devido a uma grande recordação, acompanhada de uma coragem que jamais imaginei que teria, ganhei um presente absurdamente valisoso, secreto, só meu!!!
Hoje posso garantir que vou dormir o sono dos justos, o sono feliz, pesado porém aliviado. Um sono com o corpo pesado e a alma muito, mas muito leve. Tirei um peso de minhas coisas, uma palavra que estava presa em minha garganta fazia anos.
E conseguí as respostas que me atormentaram a vida toda, as respostas para as perguntas que eu tinha a meu respeito. Eu me completei. Eu me preenchí.
E sei que, mesmo tardiamente, não devemos guardar uma vontade, um sentimento. Não devemos deixar de expressar o que sentimos sob pena de perdemos o direito de aproveitar as coisas maravilhosas advindas de nossas atitudes.
Não sei como teria sido e não sei como será de hoje em diante. Sei que estou uma tonelada mais leve....
E pude me desculpar, pude me justificar, pude expressar tanta coisa em tão pouco tempo que o filme passou em minha vida. Um filme sem final, daqueles que podemos aguardar a nova continuação.... Tipo os filmes do Rambo, Superman, Homem Aranha, 007.. Mas sem revanche....
Vou mais para o lado da continuação da lagoa azul!! De volta a lagoa azul!!!!
Então, dentro do Louvre, o museu mais conhecido do mundo, está a Monalisa, quadro de Da Vinci, o mais perfeito, o mais admirado, o mais cobiçado quadro já pintado no mundo todo, em todas as épocas. La Gioconda. A misteriosa!!! Intocável...
Estudado incansavelmente por milhares e milhares de especialistas, admirado por leitos e peritos, com suas diversas versões e histórias. O fato é que ela está lá. Exposta à visitação de privilegiados olhos porém impossível o tato. Neste quadro não se toca. Nunca. Eternamente linda e intocável.
Mas e aquele sorriso? O que é aquele sorriso? Ou melhor, para quem é aquele sorriso? Para quem a Gioconda estava rindo, quem estava em seus pensamentos? O que ela sentia no exato momento que estava sendo pintada, eternizada? Qual é o ser humano privilegiado com o sorriso mais famoso de todos os tempos?
Hoje posso acreditar que aquele sorriso era para mim!!! Aquele sorriso, da minha Monalisa, da minha Gioconda, era para mim!!! Estou errado??? 
Se eu estiver certo, mesmo intocável, aquele sorriso é meu! Só meu! sou um privilegiado.
Sabe aquelas coisas que nao acreditamos que possam acontecer conosco? tipo ganhar na mega sena?
Não conheço ninguém que tenha ganho sequer um sorteio de carro destes que aparecem nos programas de televisão. não conheço nem alguém que tenha algum conhecido que ganhou.
Eu ganhei o sorriso da Monalisa.
A minha Monalisa!!!

La Gioconda...


Bolo

O que é meu, absolutamente meu, exclusivamente meu?
O que pertence a mim e a mais ninguém?
Meu nome, registro geral, cpf. Meu número no título de eleitor, minha carteira de trabalho. São exclusivos.
Meus pensamentos. Minhas idéias, opiniões e conceitos. São meus e não sofrem influência de ninguém.
As minhas filhas, como pai, são minhas, são obras perfeitas que ninguém poderá imitar ou se apossar. São minhas e exclusivas. Não haverão outras iguais. em suas virtudes. Em profusão do amor. Pode-se tentar, pode-se esforçar, pode-se fazer de tudo que estas não são copiáveis.
O passado e tudo o que viví, os melhores anos, as descobertas, os ensinamentos, o desenvolvimento, os progressos.... Nada disso pertencerá a outra pessoa. São coisas absolutamente minhas, próprias, concretas ou abstratas. Todas são exclusivamente minhas.
50 anos se passarão, 70 que sejam, nada disso se comparará aos que viví. Todos aqueles momentos foram só meus. Os melhores momentos, a juventude, o crescimento. 
Não há metáfora que possa expressar o que estou querendo transmitir e também escrever diretamente soaria como galhofa, deboche, provocação ou desdém.
O que me vem à cabeça agora é o seguinte:
Um bolo, um belo e delicioso bolo.
Comê-lo é um prazer porém não comparável ao seu processo de criação. A mistura dos ingredientes, a dose certa do sabor, o tempo de preparo da massa, o assar, o cheiro do crescimento, do calor agindo sobre o fermento, aquele aroma se espalhando pelo ambiente...
Lamber as colheres, as panelas, lambuzar-se pelo rosto, pelo corpo todo, não tem preço....
Rechear, confeitar, embelezar...
Colocar na vitrine, com muito glacê!!! O cliente chega, olha, deseja, abre a carteira, tira o dinheiro, paga, leva para casa, comemora, come, repete.... às vezes está uma delícia, às vezes dá dor de barriga!!! 
Mas, preparar o bolo, não tem preço!!!

Meu passado é como um bolo!!! Um belo e delicioso bolo!!!
Melhor... Meu passado é todo o processo de preparação de um belo e delicioso bolo!!!


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

SINAIS

É a vida que borbulha, que está sempre em processo de ebulição, de fervura. São as coisas que acontecem no nosso dia a dia, são os acúmulos de atos feitos e os que não tivemos oportunidade ou coragem de tomar. São as coisas da economia, da cultura mundial, os rítmos, as danças, as crenças, as crianças.
É o futuro do passado do pretérito do presente atuante, penetrante em nossos poros, nossas veias. A adrenalina corre, as incertezas vêm junto. turbilhão de sensações, de emoções, de raivas e alegrias, tristezas e felicidades.
Passo a passo, indo e vindo. Caminhando para frente, retrocedendo, analisando. Caminhando e cantando e seguindo a canção (Geraldo Vandré)! Solto a voz nas estradas, já não quero parar, meu caminho é de pedra, como posso sonhar (Milton Nascimento).
Ainda não mudei, ainda não me adaptei e acredito que isto não acontecerá apesar de todos dizerem ao contrário. A ferida aberta mostra que o tempo não foi suficiente para coagular o sangue que continua escorrendo... E como escorre...
A vida em ebulição, evapora, condensa e volta às origens, a água volta para a cumbuca. Pinga, pinga suor, pinga suor, cansa...
Cansa, recupera, revigora e a caminhada continua.
A bússula não tem o N. O polo magnético está por aí e os ponteiros giram freneticamente, sem rumo. Mas a caminhada é em frente, sempre em frente.
Frases soltas, desconexas afloram e preenchem a página branca do navegador. O retângulo onde escrevo vai tomando forma e as letras miúdas se fundem em palavras...
Reticências... Sempre fiz uso demasiado de reticências... Parece que tem sempre algo mais a se dizer... e será que tem mesmo?
Interrogações... Não as uso tanto quanto às reticências porém estas continuam perambulando em minha mente!!!
Exclamações!!! Lindas!!! Alegres!!! sinal de certezas...
Certezas??? Novas interrogações!!! Novas exclamações!!!
Academia todos os dias da semana, uma em cada cidade diferente... rostos desconhecidos, pessoas mudas, corpos sarados, outros nem tanto... dou risadas, risadas internas. Convívio oportunista. é só hoje, amanhã tem mais porém longe.
Cada uma com seus próprios problemas, cada uma com seus próprios dilemas. Cada uma com seu pote de felicidade e o outro de tristezas.
Olho para as pessoas e tento mensurar o seu nível de felicidade atual. Projeto quantas tristezas e alegrias estas pessoas ainda viverão. Quão é a certeza que elas carregam em suas vidas.
Eu aprendí que não há certezas absolutas e que tudo muda. Muda aos poucos e muda derepente. Muda sem aviso, muda em silêncio. O silêncio dos burros, o silêncio dos cegos que não querem ver. Aquele silêncio otimista de quem não quer perceber o tamanho da avalanche que se aproxima. Aquele silêncio que só quem vive consegue justificar.
Onde era para gritar, ecoa nada... Nada se fala, nada se ouve.
Que texto mais abstrato! que coisa mais sem sentido....
Mais reticências... quando pergunto... e onde há sentido em alguma coisa atualmente???
Mais interrogações. e PONTO FINAL.




quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Coração apertado

Sinto hoje um profundo aperto no peito, naquele órgão que é responsável apelas pela circulação do sangue por nossas veias.
Sinto uma angústia e um vazio grandes dentro de mim devido à minha ausência no aniversário de minha filha.
Pela primeira vez não estou presente. Sei que ela está acompanhada e muito bem acompanhada de seus avós e cercada pelos amigos, com a prima, a tia, a irmã. Sei que isto faz mais falta para mim do que para ela. Ela está em seu momento feliz. Ela está contente. Hoje é seu dia.
Ela começa a contagem regressiva exatamente um dia após o seu último aniversário. Começa pelos meses e a contagem parece não ter fim. Ela categoriza por afinidades e as datas dos aniversários das pessoas mais próximas. "- Agora falta o da Ana, o do papai, o da Vovó, o da tia Glenda..." e por aí vai, eliminando um a um até que começa a contar pelos dias... A expectativa é sempre muito grande. Não pelos presentes, e na verdade eu nem mesmo sei por que mas ela adora este dia. E eu, como pai babão, adoro estar presente, fotografando, registrando, comemorando, estando junto.
E hoje não pude estar. hoje eu me ausentei... A vida e os acontecimentos deste ano não me deixaram ficar para presenciar este momento. E parece que esta falta terá que se tornar rotina e estas datas que se sucederão, não terão mais o mesmo significado de antes.
Os preparativos, a decoração, os convites, o parabéns!!!
Mas com total e absoluta certeza eu estou lá agora, presente... Feliz e realizado.... Independente das demais ausências, eu estou lá com elas agora. com as minhas filhas.
Podem ser elas do jeito que forem... Elas serão no futuro exatamente o que os pais as farão ser. Nem mais nem menos. Não nasce morango em pé de jaca!!!

Parabéns filha por mais este dia especial. Pode saber que estou aqui e o meu primeiro pensamento do dia foi para você. assim como muitos outros....

Te amo!!!




terça-feira, 6 de novembro de 2012

Erva daninha 2 (traduzido)

Sempre gostei de me expressar com metáforas porém em algumas vezes não consigo fazer com que meus leitores tenham a mesma visão que eu tenho. A imaginação fértil das pessoas somada a diferentes capacidades intelectuais muitas vezes fazem com que meus textos sejam interpretados até mesmo ao contrário do que eu gostaria de passar.
Então, faz-se necessário que um texto direto e explicativo seja escrito para tirar as dúvidas e más interpretações.
Isto aconteceu no texto erva daninha e eu vou explicitar aqui o que realmente quis dizer:
 
Em todo e qualquer tipo de relacionamento existem níveis variáveis de satisfação e à medida que o tempo de convívio se prolonga, estas senóides vão tornando-se cada vez mais prolongadas.
Nos picos de satisfação total, a felicidade é plena porém, abaixo do eixo X, quando existem os desentendimentos, quando as brigas e desilusões surgem, a incerteza e a insegurança atingem ambas as partes envolvidas neste relacionamento.
Ora, não é segredo para ninguém que no decorrer de qualquer relacionamento, somos abordados, somos sondados por terceiros, avulsos, que sempre estão em busca de um relacionamento também. São pessoas aventureiras ou não, que estão procurando a sua cara metade e, por uma questão de afinidade, de momento, de situação, se empatia, de circunstância ou qualquer outro motivo, acabam abordando e tentando se instalar na vida de alguém. ESTAS PESSOAS SÃO AS ERVAS DANINHAS!!!!
 
Então, por uma questão pura e simplesmente de acaso, dependendo do estado da relação que estamos vivendo, ficamos propensos a impelir ou a manter estas pessoas por perto, em uma espécie de plano B, uma possível alternativa, um porto seguro. Começamos a encarar estas pessoas como possíveis soluções futuras para nossos problemas atuais.
Sendo assim, quando nossa relação atual está passando por um momento de turbulência, um momento de incertezas e insatisfações e nós permitimos a aproximação de uma terceira pessoa, estamos aceitando a instalação de uma ERVA DANINHA em nosso próprio JARDIM.
 
entenderam???? Nós somos o jardineiro responsável pela limpeza das ervas daninhas de nosso próprio jardim!!!
 
Somos responsáveis  por manter afastadas pessoas que durante nosso momento de fraqueza tentam se aproximar com palavras doces e seguras.
Muitas vezes culpamos o parceiro quando na verdade a culpa é de quem deixa a pessoa se instalar.
 
Cabe única e exclusivamente à pessoa abordada a responsabilidade de afastar, não permitir que outra pessoa se instale no meio de uma relação.
 
 
e para aqueles que não sabem o que é uma senóide....



domingo, 4 de novembro de 2012

Pedaço

Djavan sintetiza muito bem o sentimento de ausência  quando diz:

"O amor e a agonia
Cerraram fogo no espaço
Brigando horas a fio
O cio vence o cansaço
E o coração de quem ama
Fica faltando um pedaço
Que nem a lua minguando
Que nem o meu nos seus braços"

E sempre ficará faltando um pedaço no coração de quem ama pois não há amor eterno bilateral.
Existe amor eterno unilateralmente.
Sempre faltará um pedaço nos passeios na praia, no shopping, nos parques.
Sempre faltará um pedaço na hora do almoço no domingo. No peroá frito, no strogonoff de frango, no purê de cenoura, no suflê de couve flor, no peito de boi na pressão.
Sempre faltará um pedaço no chopp, na tábua mista, no sorvete.
Sempre faltará um pedaço no meu peito do pé.
Sempre faltará algo, sempre faltará um motivo e uma razão. Sempre faltará o incentivo, o entendimento, o sentido.






Erva daninha

A erva daninha se instala no jardim, na plantação. E ela se instala despercebidamente, sorrateiramente, quase que de forma invisível. 
No começo um matinho insignificante no cantinho mais afastado, onde menos se observa. E vai criando e aprofundando suas raízes, debaixo da terra, espalhando suas ramificações e circundando cada vez mais uma área maior do terreno. 
Seu corpo continua lá, tímido, pequeno e frágil, estático, praticamente inofensivo, despretensioso. Crescendo por baixo da terra em um emaranhado de fios, de pequenos filamentos, pequenos e grandes, tirando do solo os nutrientes necessários para o sucesso de sua estratégia.
E o jardineiro descuidado não se percebe do perigo, não dá a devida atenção e se acostuma com aquela pequena erva daninha em seu domínio, convive com ela, olha para ela e não a vê crescendo. Não se importa. Acredita ter domínio sobre o problema.
E de repente, em um momento de seca, onde o solo se enfraquece, onde as plantas mais necessitam de cuidados, aquela erva daninha que já toma conta de todo o subsolo, resolve aparecer em toda a sua magnitude e explode em caules e folhas. Mostra a sua verdadeira face e controle sobre todo o terreno. 
E tudo aquilo que era antes aceitável, torna-se incontrolável e nosso jardim já não mais nos pertence.
Ou fazemos uso de fortes venenos, fortes pesticidas ou nos entregamos de vez àquelas plantas que nada acrescentam nem de sustento nem de beleza.
Assim são as pessoas que interferem nos relacionamentos familiares.
Aproveitam-se de um descuido do jardineiro, se instalam e acabam dominando a vida, destruindo o jardim, a horta. Destroem famílias.
São pessoas oportunistas que se aproveitam das fraquezas e incertezas, pessoas que vão crescendo na ilusão e promessas sem sentido.
E no solo que não é bem cuidado, fica fácil observar o resultado de toda esta destruição.
Fique Feliz.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Vazio

Trago hoje dentro de mim muitas dúvidas e incertezas. Dentro do mesmo corpo, do mesmo coração e do mesmo cérebro, uma enorme capacidade de amar, uma imensa vontade de poder exercer o amor em todas as suas vertentes.
Amo a minha casa, desde a sua história, seu conforto e sua segurança até mesmo o quintal sujo e com mal cheiro devido aos cachorros. Amo cada cômodo, cada parede e cada piso com o amor da certeza do lar.
Amo minhas filhas, incondicionalmente, igualitariamente, com seus defeitos e suas virtudes. A mais velha com seu olhar perdido, quieta porém firme, compenetrada e estudiosa. Amo a mais nova, alegre, energética, brava e irriquieta porém amável, meiga e prestativa.
Amo o meu trabalho, com as viagens que ele me impõe, amo conhecer e conviver com pessoas de vários municípios e várias culturas. Pessoas de várias cores e várias vontades e que me proporcionam a troca de experiências que me fazem tornar cada vez mais uma pessoa eclética e parcimoniosa.
Amo minhas colegas de trabalho com toda a sua irreverência e indisciplina, suas risadas e suas brigas diárias. Amo as suas simpatidas e até mesmo a falta delas. Amo as que trabalham e as que trabalharam comigo e que me aguentaram por algum tempo.
Amo meus cachorros.... ah.... meus cachorros... E por que os amo se eles apenas fazem sujeira, comem como se não houvessem limites e fazem barulho por toda a madrugada? Ah... amo pela fidelidade e pelo abanar da cauda quando eu me aproximo.... Amo Lucca, Princesa, Chico e Nico.
Amo minha família com toda a sua intromissão. E é pela intromissão que a amo. Amo pelo jeito comunitário de mostrar os caminhos e pelo controle absoluto de todas as variáveis que a vida coloca em meu caminho. Amo minha família pela luz que ela me concede a cada dia. Amo minha família pela energia que ela deposita em mim e pela confiança nas atitudes que tomo.
Amo a paisagem que vislumbra ao meu redor. Admiro o sol e a lua, os ipês amarelhos e roxos que passam velozes pelo meu pára-brisas mo meio da estrada. Amo os animais que cruzam a pista, a bela jovem que passeia mostrando o seu belo corpo na rua e os idosos andando pelo calçadão à beira da praia no domingo de mãos dadas. Vejo as flores, contemplo o mar, sinto o cheiro da maresia e me deixo levar pela espuma das ondas quebrando na areia.
Amo poucos amigos e por isso os amo bem. Sem trocas, sem favores. Amo ter poucos amigos. Amo ter inúmeros conhecidos.
Amo escrever, transmitir minhas idéias e meus pensamentos. Amo agradar e desagradar as pessoas com estas idéias e pensamentos.
Amo música.... Muitos estilos, muitas épocas, cantores e bandas que não vale a pena enumerar pois isto levaria muito tempo e levaria a paciência de vocês também.
Apesar de não ter muita paciência, amo filmes e mais ainda os mamão com açúcar... os que no final o casal acaba vencendo todas as dificuldades e têm um final feliz. Como exemplo, Um lugar chamado Nothing Hill, Como se fosse a primeira vez, E se fosse verdade.
Amo as séries de comédia, adoro os personagens e suas peculiaridades. Dr. Ross Gueller de Friends, Leonard de The Big Bang Theory são meus preferidos assim como Jerry Sienfield com seu amigo George.
Amo jogar buraco com meus pais e as demais companhias....
Amo o simples, o trivial... amo muito muitas coisas... Amo um espaço vazio, um vazio profundo!!!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O tempo e a troca

Ás vezes chegamos atrasados em algum compromisso importante. Um casamento, uma festa de aniversário, um batizado ou uma reunião. Perdemos a hora de um curso, da aula, do voo, da viagem. Algumas vezes perdemos um documento, um telefone celular, uma agenda, perdemos uma jóia, perdemos dinheiro, perdemos um sapato, ou mesmo um chinelo.
Perdemos um filme, perdemos o último capítulo da novela, perdemos o caminho mais rápido, perdemos a calma, perdemos a razão e o sentido.
Não fomos educados para perder e sempre que isto acontece, lamentamos muito o bem perdido. Não importa se a perda foi consequência de nosso descuido, sempre lamentamos porém sempre substituímos o que foi perdido e quando isso não é possível, nos adaptamos com o que se foi. Depois da barata, somos o ser vivo com maior poder de adaptação ao meio.
Mas, diferentemente da barata, somos um ser complexo, absolutamente complexo e desenvolvemos ao longo dos tempos uma rede de sentimentos e costumes que jamais serão explicados, jamais serão sequer entendidos. Se formos enumerá-los a lista seria enorme e interminável. Desenvolvemos muito mais do que a habilidade manual e o uso da ferramenta para proveito próprio. Desenvolvemos relacionamentos extremamente complexos, com valores diversos e sempre regidos a base de troca.
Aprendemos a caçar, aprendemos a plantar, aprendemos a viver em comunidade, aprendemos a nos relacionarmos com nossos semelhantes.
Mas alguém já imaginou qual é a base fundamental destes relacionamentos? Alguém já se deu conta do principal elemento que rege estes relacionamentos extremamente complexos?
A troca!!!
É a troca que determina todo e qualquer relacionamento. É a troca que torna a vida em comunidade aceitável e em perfeita harmonia. em todos os graus de intensidade, de acordo com a força e fragilidade dos laços que regem o relacionamento, a troca é o sítio de ligação total.
Sem troca não há afinidade, não há aceitação, não há o convívio.
E, sem perceber, toda esta nossa evolução, toda esta caminhada até o convívio em sociedade, na constituição da família, vivemos à base de troca. 
Em todos os grupos constituídos a troca das mesmas idéias e ideais é base fundamental para aceitação.
Tornamo-nos iguais àqueles que admiramos. Temos esta necessidade de sermos aceitos e para tanto trocamos nossa individualidade, nossa personalidade, nossa opinião pela opinião, personalidade e individualidade deste grupo. Temos propensão a nos igualarmos aos nossos. E defendemos isso!!!
Então falando tanto de perda e para não perder o sentido deste texto, existe sim uma coisa a qual nunca nos acostumaremos a perder.... Uma coisa que não recuperamos e quando percebemos, não há nada mais a se fazer.
O tempo!
Este não volta. Não há arrependimento que faça o tempo voltar. 
E só percebemos que o tempo se foi quando nos damos conta que em algum momento de nossas vidas, fizemos a troca errada. 
A troca e o tempo. Interligados profundamente. Um rege o outro. Para o bem e para o mal.

os nossos

Muitos dias sem postagens, muitos dias sem as músicas do blog e aqui estou novamente diante da tela e com a responsabilidade de não deixar este projeto perder o sentido.
Claro que a desculpa é a mesma de todo blogueiro e que o tempo realmente está muito corrido e que o trabalho profissional me tira a disposição para o trabalho intelectual de escrever para vocês todos os dias.
Acreditem, tenho que correr atrás do prejuízo e estou fazendo isso como se fosse o meu primeiro emprego novamente. Estou na estrada e nada mais vai me tirar dela. Caminhando por cada cidade, entrando em cada loja resolvendo os problemas de cada parceiro acabo por me esquecer dos meus.
A mente está cheia de idéias e cheia de novidades porém não tenho conseguido escrever e compartilhar com todos vocês. O calor também está muito acentuado e isto tira o ânimo de qualquer um.... Isso faz-me refletir que nunca estamos satisfeitos com os excessos. Seja muito frio ou muito quente, sempre reclamamos.
Como reclamamos de nossas vidas o tempo todo. 
Por que agimos dessa forma? Por que o descontentamento constante com as coisas da vida? Por que sempre buscamos algo mais, algo além?
Uma coisa garanto a todos... Não é instinto.... Não mesmo....
Toda esta correria do dia a dia, todo este descontentamento e toda esta necessidade que temos de nos destacar, de nos sobressair, de sermos melhores que os demais. tudo isto advém de nossa atual cultura do ter antes do ser. tudo isto está parametrizado nesta nossa sociedade de consumo absoluto.
consumimos tudo o que nos vendem, sem atestarmos para a qualidade. Lutamos para sermos desiguais sempre tentando nos igualar às outras pessoas. Um paradoxo total.... Uma incongruência absoluta.

Queria deixar um conselho em caixa alta: NÃO TEMOS QUE SER MELHORES DO QUE NINGUÉM. TEMOS A OBRIGAÇÃO DE SERMOS MELHORES QUE NÓS MESMOS FOMOS NO DIA ANTERIOR.

Esta é, ou melhor, deveria ser, nossa única obrigação diária. Melhorarmos um pouco a cada dia. Para nós e para os nossos.
Não se cresce sem sacrifícios a abdicações. Não se cresce sem desprender tempo, sem paciência. Não se cresce sem a ajuda de quem nos ama.
Não se cresce sem pagar um preço. Não se cresce sem gratidão.

Enchemos nossas cabeças de tantas metas, tantos objetivos que acabamos perdendo muitos valores pelo caminho... Retroceder e começar o caminho novamente sempre é a melhor opção.... Catar os cacos espalhados pelo chão é uma ótima oportunidade de revermos nossa estrada e apreciar tudo aquilo que estávamos perdendo pela pressa....

Melhorar para nós e para os nossos... Os nossos!!!! Isto sim é importante!!!!




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Despedida

Amigos e companheiros de blog, gostaria de me despedir de vocês de forma simples e sucinta.
A quem desagradei, peço minhas sinceras desculpas porém ratifico que tudo foi escrito com a essência de meus sentimentos no momento. Cada palavra escrita ou até mesmo aquelas que apaguei e repensei foram feitas com a mais absoluta certeza de meus sentimentos e centradas com a verdade.
A quem agradei, agradeço pela companhia, pela cumplicidade, pela paciência, pelo entendimento e pela amizade e amor demonstrados durante estes quase três meses de convívio diário.
A vida deve seguir e a natureza deve completar o seu ciclo, deve reciclar seus elementos, deve decompor tudo novamente a simples átomos para que estes formem novas moléculas e estas novas substâncias.
É necessário sair de cena. É necessário passar a responsabilidade do blog para outras mãos e principalmente para outras idéias e outros pensamentos. É hora do novo. O velho deve sair de cena.  O último ato.
E ao fim deste último ato não peço aplausos e nem vaias. Não peço admiração ou críticas. Peço apenas compreensão. Tudo o que necessito no momento é de compreensão.
Não estou sendo covarde e nem tão pouco abandonando meus conceitos, minhas convicções. É realmente necessário que a velha árvore caia para seus brotos crescerem fortes e fartos. Apesar de toda a sombra que esta velha árvore proporcionava, os seus frutos já não estavam saciando a fome de ninguém.
O tempo passa. Nada dura perante a ação do vento que tudo erode. Nem a rocha!!!
Antes de partir, deixo meu coração blindado, lacrado. Porém minhas experiências estão todas aí nos textos, servindo de exemplos (certos ou errados). Podem usar à vontade.
Garanto que o blog não terminará. Continuará sendo escrito e atualizado constantemente e o deixo em boas e novas mãos. Podem acreditar. Estarei por perto se precisarem, nem que seja por pensamentos!
Obrigado a todos!

sábado, 20 de outubro de 2012

Mãos sujas de barro

Alguém já reparou na cena de uma criança na praia indo buscar água em seu pequeno balde na margem para encher um buraco que ela mesma cavara mais para cima?
É uma cena divertida pois a criança carrega aquele balde cheio de água, coloca cuidadosamente a água no pequeno buraco, a água infiltra pela areia abaixo e a criança corre novamente em direção do mar para pegar mais pois em sua inocente cabecinha, uma hora a água vai parar de fugir pelo buraco e sua piscininha ficará cheia.
Os pais se divertem e dão risadas daquele esforço inútil de seus filhos.
E as crianças vão crescendo, vão perdendo a inocência e acabam esquecendo desta pequena lição da vida.
Quantas vezes vemos pessoas com as mãos em concha, segurando em uma delas um punhado de água e na outra um punhado de terra, subindo os degraus da vida?
Com muito cuidado, com muito esforço para que não deixe cair uma gota ou um grão, as pessoas olham para frente, tentando manter o equilíbrio, com o suor no rosto, pernas trêmulas, sem sequer poder olhar para os lados, passo a passo, com aqueles dois materiais preciosos em suas mãos.
Inevitavelmente, ao final do caminho, muito terá se perdido, muito terá descuidadamente caído de suas mãos, um pouco de água e um pouco de terra. Algumas vezes nada sobra e chega-se no final da estrada com as mãos vazias.
Vamos prosseguir esta metáfora denominando a terra de família com todas as suas tradições, ensinamentos, todas as suas morais, todos os seus caráteres. Com todos os seus ensinamentos e hierarquias, com todos os passados e todos os futuros representados por um punhado de terra.
Vamos denomiar a água de carreira, de emprego, de dinheiro que sacia, que mata a sede, mata a fome. Os bens materiais e tudo o que o dinheiro pode proporcionar.
É assim que caminhamos na nossa estrada, é assim que vamos tentando equilibrar as duas matérias para não deixar que nada se perca pelo caminho. Mas é impossível.
Muitas vezes nem é preciso chegar ao fim da estrada para perceber que tudo se perdeu pelo caminho em um e outro descuido, entre um e outro deslize. Seja com a família, seja com a carreira.
Quantos adultos conhecemos que não são comletos, que lhes faltam um bom emprego, uma realização profissional ou quantos mais não têm uma família para se reunir aos domingos, celebrar e discutir as coisas da vida?
Quantas pessoas conhecemos que se lamentam do passado deixado para trás, da terra que virou poeira enquanto tentava não deixar a água cair?
Quantas pessoas conhecemos que estão neste momento passando por isso?
Mas vejam como a vida é sábia e vejam como somos absolutamente ignorantes quando se trata de aproveitarmos as oportunidades de raciocínio que temos...
Uma mão com água, outra com terra... 
Unindo as duas, BARRO... A origem do homem. BARRO, A concepção da divindade.
BARRO, a condensação da terra e da água, a família e a carreira unidas em uma mistura homogênea, maleável e muito mais fácil de carregar com as duas mãos ao mesmo tempo.
Fôssemos nós mais inteligentes, mais crianças por mais tempo, perceberíamos a sabedoria daquela criancinha que na verdade não estava querendo encher seu buraco com água e sim criando o barro para moldar seus castelos.
Viver melhor a vida, deixar sua marca cimentada na estrada implica em sujar as mãos de BARRO....

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

16 anos de casamento

Queria poder escrever para vocês um texto bem bonito e romântico, daqueles em que o marido exalta a esposa e faz juras de amor eterno. Daqueles onde o homem declara para tudo e para todos e coloca a sua família em primeiro lugar.
Queria escrever uma declaração de amor eterno, de fidelidade, honra e dedicação. Queria falar dos bons momentos e de boas recordações do passado e planos para o futuro.
Não planos materias, não conquistas pessoais e sim falar de amor no tempo futuro.
Mas, como a outra parte disse " nem sei do que se trata", resolví colocar um texto que minha filha fez para a semana cultural sobre o nordeste. Ela fez um cordel...
E depois algumas pessoas dizem que os filhos não sentem a separação dos pais e que um dia irão superar.




O Fogo e a Roda

Nossos antepassados passaram a ser os dominadores entre todas as espécies quando conseguiram dominar o fogo e dele tirar proveito. 
Uma outra grande conquista que evoluiu nossa espécie foi a invenção da roda. A partir dela e de seu uso, a vida passou a ter uma nova conotação e a sobrevivência passou a ser muito mais fácil e satisfatória.
Estas duas conquistas, o fogo e a roda dão muito sentido às metáforas que passo a usar agora neste texto em relação aos sentimentos amorosos que CIRCULAM nossa vida (primeira roda). 
Nosso primeiro relacionamento amoroso se dá com a mãe (no caso dos meninos) e com o pai (no caso das meninas). 
Logo em seguida, já na infância, sentimos aquele ódio inexplicável pelo sexo oposto, onde puxamos os cabelos, batemos, beliscamos, mordemos sem saber o porquê. Sabemos que dentro de nós alguma coisa acontece que nos leva a sentir este desejo de atacar o sexo oposto. Isso vai acontecendo até mais ou menos 8, 9 anos de idade....
Depois os grupos se desfazem, se categorizam por sexo e as meninas se juntam com suas amigas e os meninos só pensam em futebol e videogames.
As meninas colecionam posteres dos artistas famosos, pintam as unhas, passam batons, vêem filmes românticos, usam roupas iguais, contam seus segredos umas para as outras. 
Os meninos se sujam, falam palavrão, se machucam, saem na briga, andam de skate, faltam aulas, ficam de castigo.
Até que, em cada uma destas turminhas, em cada um destes grupos, um casalzinho se destaca, começam a se olhar de forma diferente, sofrem a influência dos demais (as meninas ajudando e os meninos tentando impedir) e a união acaba acontecendo. É o fogo da paixão, é a roda da vida que traz o que antes era inimigo para o lado do amor.
O complexo de Édipo se quebra e os adolescentes se vêem prontos para o amor. E riem, e se desligam da família, dos amigos, das aulas, das vocações profissionais. Curtem o momento como se este fosse eterno. 
E todo este amor dura exatamente o momento da eternidade. E todo este amor é vivido, é devorado, é sentido com todas as forças pois é este o amor puro e verdadeiro. É este o amor pleno, o amor grátis, o amor que não se compra, que não se troca. é este o amor que idealiza o outro, que enaltece, que não vê defeitos e supera as dificuldades.
É este o amor que os adultos não aceitam, que colocam dificuldades, que impedem, que criticam, que julgam passageiro. É este amor que todos tratam com indiferença, que comentam "uma hora vai passar", "eu já passei por isso e no fim, acabei casando com outro", "isto é fogo de palha e coisa de adolescente".
E são estes comentários, e é justamente esta falta de apoio, esta falta de credulidade nos sentimentos dos adolescentes que por fim contribuem para o afastamento do casalzinho. E o fogo se apaga, e a roda da vida passa e leva cada um para uma extremidade do mundo.
E cada um segue a sua vida, e cada um toma o seu rumo. Cada um, distante, toma suas decisões, se envolve com outra pessoa, constitui família, cria e educa seus filhos em um relacionamento normal.
E isto pode durar a eternidade. E isto pode durar apenas o suficiente. Isto vai depender mais uma vez da roda da vida que em uma de suas voltas, faz as engrenagens se encaixarem novamente, faz o fogo voltar a acender, a queimar, a arder.
E a vida pode mostrar a todos que aquele amor, inconsequente, aquele amor irreverente, de adolescente, permaneceu escondido o tempo todo, a brasa acesa, no fundo da alma, dentro dos pensamentos, adormecidos para um despertar absoluto e definitivo. Para o fogo que tudo queima, que tudo clareia.
E clareia tanto que o passado volta, começa exatamente de onde parou, como se o intervalo não houvesse existido, adolescentes de novo, amor incondicional novamente. Mostrando para quem duvidava que amor verdadeiro é o primeiro. Amor primeiro não morre e a chama não apaga.
E nós sabemos que mesmo tendo inventado a roda, mesmo tendo conseguido controlar o fogo, nós humanos somos absolutamente incapazes diante do fogo do amor e das voltas que a vida dá.



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Divórcio

Hoje recebí telefonema de uma advogada reivindicando o direito de sua cliente recomeçar a vida, começar tudo de novo repartindo os bens adquiridos ao longo de 16 anos de convivência.
Virou moda a partir dos anos 90 e a situação se potencializou na virada do milênio, esta questão de felicidade individual acima de tudo. Os diretos a felicidade e a facilidade para se começar tudo de novo.
As trocas de relacionamento, os casamentos acabando cada vez mais com menos tempo de união, o alto índice de divórcios, separações amigáveis ou não.
Propagou-se muito a idéia de que se não está dando certo, o melhor é cada um buscar seu caminho separadamente, individualmente, independentemente de bens e, pior, independentemente da existência de filhos ou mesmo a idade destes filhos. O que importa é ser feliz. É sempre buscar alguém que tenha mais e melhores qualidades, não aceitar os defeitos daquele parceiro que outrora fora o melhor, em busca de algo melhor ainda.
Evoluiu-se a tecnologia, os processadores, computadores, impressoras, celulares, televisores, automóveis, eletrodomésticos, redes sociais, evoluiu-se o relacionamento.
Evoluiu-se o relacionamento? Esta frase é verdadeira?
O relacionamento hoje é efêmero, é baseado na incerteza? Não se pode errar ou desagradar sob o risco de receber um telefonema de um advogado reivindicando o direito ao recomeço de vida de seu cliente?
Então é isto? É mesmo desta forma que tem que ser? E vamos aceitando a modernidade, vamos mostrando para nossas crianças estes exemplos, esta facilidade de começar de novo, independente de quem nos cerca, independente das pessoas envolvidas. Não temos mais tolerância aos conselhos, à adaptação, à aceitação.
Não temos mais as bases de moral, de ética, de família, de futuro e sacrifício.
E vamos nos acostumando com isso, nas novelas, nos filmes, nos vizinhos, nos amigos até que isto chega dentro de nossa casa e mudamos de lado. Aquilo que nunca queríamos para nós agora faz parte de nossa rotina e somos mais uma família que não deu certo junta e que a felicidade será melhor para todos se separados.
E o que poderia ter sido feito? Nada!!! começo a acreditar que nada poderia ser feito. Já nasceu errado e uma hora teria mesmo que acabar... Prefiro pensar assim do que ver que este final já estava escrito e o último capítulo só me foi entregue no dia de ser gravado. O futoro de meu personagem já estava escrito e o autor escondeu até o final, até o último dia.
Mas será que acabou? Será que esta novela passará de novo à tarde (vale a pena ver de novo). Não... com certeza não...
As consequências estarão sempre assombrando nossas vidas, os frutos obrigatoriamente terão que ser colhidos ou apodrecerão em árvores também podres.
Dava para adubar, dava para cuidar, dava para construir uma cerca bem alta no nosso jardim para que ninguém entrasse e pisasse na nossa grama. Faltou mesmo é vontade e compromisso. Cuidou-se de outro jardim, regou-se outra planta, adubou-se outra árvore.
Nosso jardim foi invadido, e nossa grama foi pisada, pisoteada, náo havia cerca, não havia proteção. Nunca houve. O tempo para construir cercas, adubar, regar, tirar as ervas daninhas foi comprometido com outras coisas, umas fúteis outras importantes.
Agora falta apenas apagar a luz.



terça-feira, 16 de outubro de 2012

Remorsos

Existem várias formas de se perder uma pessoa ao longo da vida.
Umas por força da ação da natureza, outras por acidentes, outra por atitudes. Umas por vontade própria outras por imposição.
Quando perdemos um ente querido por falecimento, sofremos das maneiras como a situação exige. Desde o grau de parentesco, idade, afinidade e mesmo circunstâncias. 
Um parente distante, que não vemos faz tempo e que está sofrendo de uma doença progressiva nos fará falta porém de forma menos intensa do que um jovem que acabara de sofrer um acidente de automóvel ou vítima de um assaltante impiedoso.
Quando perdemos de súbito alguém e somos obrigados a continuar com nossa vida, naturalmente vamos nos adaptando e readaptando nosso estilo. Obviamente as lembranças são e se tornam mais acentuadas no início porém estas sinapses vão se enfraquecendo com o passar do tempo e as memórias mesmo continuando não causam as mesmas dores do início, até por que a perda fora inevitável e irreversível. O instinto de sobrevivência fala mais alto e os projetos de vida devem ser tocados.
Estudos indicam que em caso de casais, onde marido e mulher viviam em conflito e um dos dois acaba falecendo, a parte que fica leva em média 10 anos para superar a dor da perda e voltar a viver normalmente ao passo que um casal harmonioso quando ocorre o mesmo fato, esta média de tempo cai para apenas 5 anos. 
Isto comprova que a perda de alguém não está diretamente relacionada com a ausência futura e sim pelos atos feitos ou deixados incompletos no passado. A dor da perda está mais relacionada ao remorso do que propriamente do porvir.
Então, mesmo exaltando o futuro e mesmo querendo construir um futuro sempre melhor, podemos deduzir que estamos demasiadamente e inevitavelmente presos ao passado. Ao que fizemos e deixamos de fazer, aos remorsos e arrependimentos. 
O Passado rege todo nosso futuro e o problema está exatamente na impossibilidade de alterá-lo. O remorso está nesta categoria de sentimentos perpétuos, imutáveis. Podemos deixar de fazer algo ou mesmo fazer algo intencionalmente, podemos planejar o futuro porém o passado mesmo sepultado, nos persegue, ilumina e assombra todos os nossos momentos. É o único lugar que não alcançamos mais e é o único lugar que abriga os nossos erros.
E quando perdemos uma pessoa em vida? E quando, involuntariamente, contra nossa vontade, uma pessoa resolve morrer apenas na nossa vida?
São duas mortes pois ambas as pessoas envolvidas, a que quer morrer e a que sofre com a morte, possuem um passado comum.
Quais os sentimentos que nascerão a partir desta morte e quanto tempo estes irão durar? O passado é imutável e as memórias nos perseguirão para o resto da vida.

obs.: Neste texto devo ressaltar que o remorso não é um sentimento que carrego. Isto posso garantir.